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II Encontro Brasileiro de Futebol e Cultura – práticas de futebol colaborativo e solidário

PRELEÇÃO

A realização do II Encontro Brasileiro de Futebol de Cultura em 2015 recoloca em pauta a articulação de uma rede que unifique as diferentes práticas de futebol colaborativo e solidário por todo o país. No I Encontro realizado em 2014 em São Paulo, abordamos dados e problemas que expôs as inúmeras contradições e violações ligadas ao futebol profissional especialmente ao futebol masculino. Um ano depois o cenário se apresenta ainda pior. Denúncias de fraudes e corrupção se multiplicaram e levaram à prisão vários dirigentes esportivos. Não obstante, na Série A do Brasileirão os estádios estão cheios e a audiência televisiva cresce. Mas como foi dito no ano passado esse futebol comercial e midiático não nos representa.

Anunciamos que um outro futebol é mais do que possível; é praticado. Todos os dias em todas as partes do Brasil meninos e meninas jogam um futebol colaborativo e solidário e é esse futebol que queremos destacar novamente no II Encontro Brasileiro de Futebol e Cultura. Interessa-nos a bola que rola nas praias, nas ruas, becos e vielas das favelas e periferias urbanas, aldeias indígenas, comunidades quilombolas, assentamentos e acampamentos de trabalhadores rurais sem terra e entre os refugiados. Queremos saudar o futebol jogado nos campinhos de várzea, na lama do Rio Amazonas, nas comunidades ribeirinhas. O futebol que é ação direta de grupos ativistas anticapitalistas. Queremos um futebol inclusivo, onde pessoas cegas e com outras deficiências físicas possam praticá-lo plenamente. Um futebol livre da homofobia, onde a mulher tem seu espaço garantido, não por concessão, mas por reconhecimento e mérito. Um futebol em que a arte e a cultura façam parte do espetáculo.

Apresentaremos aqui em Fortaleza muitas experiências que propõe algo novo, fora do convencional, pessoas indo além de seu sonho, mulheres e homens acreditando que esse esporte tem em sua essência algo diferente, capaz de importantes mobilizações. Por isso entendemos que a narrativa que norteará nosso encontro constrói-se sobre o seguinte tripé: a) futebol como elemento das culturas brasileiras; b) futebol como crítica social e luta política; c) práticas alternativas de futebol como ação de transformação social.

Essas três dimensões estão presentes em todas as experiências e práticas que serão apresentadas no Encontro e nas mais de cem que mapeamos durante dois anos em todo o País e que estão catalogadas no Centro de Referência do Futebol Brasileiro no Museu do Futebol. Um levantamento significativo de pessoas que fazem do futebol o seu lazer, sua militância política, a sua profissão, e por que não dizer, a sua vida.

Mas, o que poderia nos unir? Práticas distintas? Diferentes realidades? Essas são perguntas fundamentais para o nosso Encontro. Acreditamos que essa almejada convergência vai além do igual, vai além das dificuldades em realizar um campeonato ou a disputa de valores e espaços. É possível que estejamos diante de algo tão novo que aquilo que nos unifica esteja na diferença. Ou seja, queremos nos conhecer e nos reconhecer como um grande movimento plural. Articulações, concepções, preferências, abordagens, tentativas e opiniões. É a multiplicidade de olhares que proporciona essa grande oportunidade de troca e de crescimento. Sob semelhanças e divergências pretendemos nesse Encontro propor o ponta pé inicial da Rede Brasileira de Futebol e Cultura.

É a partir dessa Rede que buscaremos descobrir caminhos, angariar espaços e pressionar o Estado por políticas públicas que assegurem o direito dos homens e das mulheres, jovens crianças que jogam bola. A diferença agora é que não faremos isso mais isoladamente e sim em torno de algo maior. E para isso se faz necessário estarmos dispostos ao diálogo, à construção coletiva e também ao trabalho. Reconhecemos assim o futebol como uma frente de luta por transformações sociais. Queremos um movimento que veja esse esporte para além do alto rendimento, da competição e da rivalidade. Um futebol de paz, com cultura, equilíbrio de gênero, respeito à diversidade. Defendemos a democracia e a justiça social com muitos espaços para jogar e brincar. Praticado assim, vivido assim, o futebol pode ajudar muito o Brasil a ser um país mais justo e melhor de se viver.

Desejamos a todos e todas um ótimo encontro!

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