Peladão de Manaus: O maior campeonato de várzea do mundo

Um grito liberdade! É assim que o radialista Arnaldo Santos define o “Peladão”, maior torneio de futebol amador do mundo. Um dos responsáveis pela organização do campeonato, com mais de 40 edições, ele conta que o campeonato é uma grande e divertida festa feita e organizada por toda a população.

Para ser ter uma ideia do que o Peladão representa para o Amazonas, o público supera os dos jogos dos time profissionais. Santos não esconde um objetivo ousado, que tem perseguidos nos últimos 15 anos, quando assumiu a organização. “Nos documentos e registramos tudo, não é da ‘boca para fora’ que dizemos que o Peladão é o maior campeonato de várzea do mundo. Quando o Guinness vier aqui, vai estar tudo provado”.

A grandiosidade do Peladão vai além da capacidade de realizar, em só final de semana, mais de 100 partidas. Há ainda o popular concurso das rainhas, que representam cada um dos times da divisão principal, jogada pelos homens, existem também modalidades exclusivas para população indígena, mulheres, crianças e veteranos.

“O concurso das rainhas é uma herança das festas tradicionais que davam esse destaque para a beleza da mulher. Criamos as outras modalidades para garantir a participação de ainda mais pessoas no Peladão, por exemplo, a categoria infantil cumpre o papel de aproximar o campeonato das crianças, já a modalidade indígena permite a participação desses povos que são marcantes na nossa formação”, observa.

Santos atribui um papel de relevância para o regulamento do torneio, com as suas mais de 100 páginas, o qual garante a “organização de toda a diversão”. É nele, por exemplo, que se encontra a importância da musa para o Peladão. Todo time deve, obrigatoriamente, inscrever uma musa, caso o time seja eliminado e a sua musa esteja entre as 16 mais bem coladas, a equipe ganha uma vaga nas oitavas de finais.

“O Peladão só acontece porque todos que participam se sentem responsáveis por ele e se esforçam para que tudo aconteça da melhor maneira. Desde a ajuda com a arbitragem, até a recepção do times que saem do interior para jogar na capital, o Peladão não tem dono, por isso é tão grande”, comemora.

Ele explica que o Peladão não tem só os jogos como foco. Uma das ações é o “sopão solidário”: durante as realizações dos jogos, eles recolhem doação de mantimentos e fazem sopa para se distribuídas às pessoas em situações de rua. Em relação às escolas, além de exigir que as crianças que disputam o “Peladinho”, modalidade infantil, estejam matriculadas, representantes do torneio visitam os estudantes para alertar sobre a importância da sustentabilidade e preservação do meio ambiente.

Outra ação extracampo é o “Peladão indígena”. Santos conta que entrou em contato com a Universidade Federal do Amazonas para buscar integrar a população indígena no campeonato, mas sem fazer um “oba-oba”, explica. “Conversamos com pesquisadores, com professores de educação física e antropólogos, da melhor maneira de criar essa modalidade e também fazer um estudo com esses povos, falar do direito deles, conhecer mais sobre a cultura deles”, conta.

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