ICB: jogar bola para ganhar autonomia
A maioria dos jogadores com passagem pela seleção brasileira, seis títulos de campeonatos brasileiros no currículo e o melhor jogador do mundo. Estas são algumas da credencias da equipe de futebol de cinco – futebol para cegos – do ICB (Instituto de Cegos da Bahia). Referência da prática no país, o sucesso do Instituto não começou com grandes investimentos ou por sugestão de algum educador, partiu dos próprios deficientes visuais.
Fábio Ricaud um dos educadores do projeto lembra que, para se divertirem, os meninos enchiam garrafa com pedras e começavam a brincar, quando eles perceberam que a iniciativa envolvia a todos, resolveu-se organizar e dar mais estrutura. “Não partiu do ICB implementar o futebol de cinco, foi praticamente uma ‘cobrança’ deles”. Sem esconder o orgulho, Ricaud fala dos campeonatos e títulos coletivos e individuais dos atletas, ao que ele atribuí ao esforços dos meninos e aos anos de maturidade com a prática. “Como já temos uma boa experiência com prática , fica mais fácil montar equipes fortes e equilibradas, além de identificar alguns talentos”, observa. Porém, ele faz questão de ressaltar que a principal preocupação do ICB está em explorar os elementos positivos da prática e nas conquistas individuais, que surgem como uma benefício a mais. “É notável como eles melhoram o porte físico, a percepção ambiental, o jeito de andar”, comemora. “Além dos fatores físicos, a auto-estima e capacidade de se socializar com as outras pessoas aumenta muito. O futebol de cinco transforma a vida destes meninos”. Além do futebol de cinco, o ICB oferece atividades da prática esportiva de natação e hipismo, acolhe cerca de 160 deficientes visuais de 0 a 21 anos, que se encontram distribuídos em ambulatório, internato, semi-internato e Oficina Pré-Profissional. O Instituto fornece gratuitamente aos deficientes visuais: alimentação, vestuário, medicamento, material escolar, fardamentos e artigos de higiene. |